O segmento viveu uma alta repentina no número de investidores durante o período de taxa de juros na mínima histórica, de 2%. Com o novo ciclo de alta da Selic sinalizado pelo Banco Central, porém, a pergunta que fica é: o setor vai continuar atraindo investidores e oferecendo retornos atrativos?
Após 6 anos sem aumentar a Selic, o Banco Central decidiu, na quarta-feira (17), elevar de 2% para 2,75% ao ano a taxa básica de juros da economia. O anúncio, que já era esperado pelo mercado, gera dúvidas nos investidores sobre como será a trajetória dos Fundos Imobiliários (FIIs) daqui para frente, visto que o “boom” do segmento aconteceu em um momento no qual a taxa Selic estava no menor patamar histórico.
O raciocínio é simples: com a subida da Selic, os investimentos em renda fixa voltam a ficar mais atrativos, dado o menor risco da classe, e passam a concorrer com outros de maior volatilidade, como é o caso dos Fundos Imobiliários. Por outro lado, um aumento de 0,75 ponto percentual pode impulsionar essa mudança na tomada de decisão dos investidores?
Para o sócio-fundador da Hedge Investments, André Freitas, a alta da Selic estava mais do que sinalizada e indica um começo de ciclo de aperto monetário que o Banco Central deve seguir ao longo de 2021. “A decisão do BC vai além do aumento de 2% para 2,75%, pois mostra uma mudança de política monetária. A questão, agora, é até onde vai esse aperto. À medida que o BC leva a taxa para níveis que evitem o juro real negativo, pode haver uma estabilização no dólar. E, com o câmbio ‘controlado’, é possível que haja uma derrubada do IGP-M, porque as mercadorias importadas e os preços agrícolas acabam sendo influenciados pela moeda”, avalia. No que diz respeito aos fundos imobiliários, no entanto, o setor tem fundos atrelados, em maior parte, aos indexadores inflacionários (IGP-M e IPCA). Para o analista de FIIs da Guide Investimentos, Caio Ventura, o avanço dos indicadores beneficia o segmento. “Como o aumento da taxa Selic foi pequeno, de 0,75 ponto percentual, ao mesmo passo em que todos os fundos têm seus contratos indexados ao IPCA e IGP-M e ambos estão numa trajetória de alta desde o ano passado, há uma minimização relevante do risco de perda de atratividade dos FIIs”.