Já há algum tempo vemos crescer a importância do meio ambiente, em reconhecimento à sua dimensão e alcance, pois a todos afeta. Mas vivemos em um mundo em que as ideologias políticas e as vontades sociais são motivo de orgulho para suas nações, mas a prática é pouco efetiva.
Prova disso está no Brasil, que possui uma constituição (lei máxima desta nação) que abraça direitos de última geração, como a proteção ao meio ambiente equilibrado e o patrimônio genético nacional. E isso ainda em 1988, quando esses temas ainda eram pouco conhecidos do público.
Ocorre que, na prática, muitas normas legais surgem e são inadequadamente aplicadas. Faltam nelas a devida interpretação, não são fiscalizadas ou, simplesmente, são ignoradas.
Venho falando da importância do equilíbrio de forças que a sustentabilidade deve almejar e isso inclui aplicações práticas e interpretação adequada, inclusive das leis que nos regem.
O STF, há alguns meses, deu um importante passo, com o reconhecimento da necessidade de se observar e aplicar a sustentabilidade na economia (Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4.901).
E na prática isso é mais fácil do que se pode imaginar. Uma das formas como isso vem ocorrendo está na adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) idealizados pela ONU e em aplicação no mundo, com participação ativa e efetiva do Brasil em todas as suas etapas de formação e sendo Santa Catarina uma das referências nesse cenário.
A sustentabilidade, então, está fazendo sua transição de uma bela ideologia, para práticas executáveis no dia a dia da empresa, atraindo diversas vantagens.
Além do ganho mais direto, que ocorre com a preservação do meio ambiente, o negócio que assume e aplica a sustentabilidade pode obter vantagens como certificações para exportação de seus produtos, reconhecimento nacional e internacional, conquistar clientes com a mesma consciência ambiental, agregar valor à sua marca, inclusive perante seus fornecedores e financiadores.
Dentre as empresas consideradas as mais sustentáveis do mundo, em 2020 a Forbes listou quatro empresas brasileiras: Banco do Brasil (9º lugar), CEMIG (19º) e Natura (30º). Interessante notar que o ranking em questão não leva em conta apenas os feitos na área ambiental, mas principalmente a capacidade da empresa de gerar valor a todos os públicos envolvidos em seu sistema.
Portanto, além de ser possível na prática, o empreendedor perceberá que seu negócio pode obter vantagens diversas com a adoção da sustentabilidade, como geração de governança, aprimoramento das relações comerciais, possibilidade de economia e valorização de sua marca – ou seja, questões concretas e palpáveis.
A sustentabilidade é uma realidade! Uma ideologia que se tornou executável e cobrança das novas gerações e, se bem trabalhada, torna-se um diferencial e um ganho, em todos os sentidos.